Quarta-feira
19 de Junho de 2019 - 

Mulher Juíza: oficinas debatem desafios na carreira

Promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), de 15 a 17 de maio, a programação do curso nacional Mulher Juíza pidiu-se em dois momentos. As juízas Helena Alice Machado Coelho, Samantha Ferreira Barione, Mariana Rezende Ferreira Yoshida, Carolinne Vahia Concy, Jacqueline Machado e Luíza Vieira Sá de Figueiredo, além da desembargadora aposentada Maria Isabel de Matos Rocha, representaram o Judiciário de MS na capacitação. De manhã, as participantes realizaram atividades para abordar as temáticas Poder decisório e ocupação de espaços institucionais; Avaliação judicial sobre os riscos de violência doméstica; Apresentação das pesquisas “Diagnóstico da Participação Feminina no Poder Judiciário – DPJ/CNJ” e “Cenários – CNMP”; Como julgar com perspectiva de gênero?; Marcadores Sociais e Interseccionalidade; e Os ODS na agenda do Poder Judiciário – ODS 1, 5 e 8. No período vespertino, foram realizadas sete oficinas para promover o compartilhamento de experiências sobre a carreira no Judiciário e as discussões foram norteadas pelos temas Representatividade; Gênero e suas Interseccionalidades; Mulheres e Desenvolvimento; e Julgamento com perspectiva de gênero. “Nós percebemos que, apesar dos avanços alcançados, ainda há muitos espaços que a mulher precisa ocupar (e quer ocupar) em prol de uma igualdade material”, declarou a formadora Luiza Vieira Sá de Figueiredo, juíza da comarca de Corumbá. A interseccionalidade é o estudo da sobreposição ou intersecção de persas formas de dominação e discriminação. O termo é de origem sociológica e serve para explicar fenômenos vivenciados por minorias. O conceito foi utilizado nas abordagens das oficinas, pois, de acordo com a juíza de MS, quando a igualdade é posta em discussão, é necessário estudar outras variantes dentro do próprio gênero. “Percebemos que às vezes a mulher negra, a mulher indígena, a mulher de classe social extremamente baixa não vai ter o mesmo acesso a persas estruturas que uma mulher, por exemplo, branca, de classe média alta, teria”, ressaltou a formadora. Conforme pesquisa publicada pelo CNJ em 2018, o perfil dos magistrados brasileiros é majoritariamente masculino. Entre os cargos de ministro e desembargador, os homens ocupam, respectivamente, 84% e 77% das vagas. A porcentagem reduz quando se trata de juízes titulares e substitutos; nessa ordem, os homens preenchem 61% e 56% dos cargos. “Na dinâmica de apresentação da oficina de interseccionalidades, em que cada participante colocava uma experiência, apareceram situações de marido interferindo na opção da mulher em relação à carreira, de mulheres que foram interrogadas em entrevistas ou em provas orais e tiveram a competência questionada pelo fato de serem mulheres. Muitas também relataram que, nas experiências ao longo da carreira, foram as primeiras a ocupar determinada posição”, relatou a juíza. O curso foi promovido pela Enfam juntamente com o CNJ e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), com o apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). Com informações Enfam
20/05/2019 (00:00)

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